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29.1.07

Não precisamos de religiosos nem filósofos

O problema é a falta de amor...
Não o amor de um homem por uma mulher ou vice-versa, não o amor de uma mãe por um filho...
É aquele amor inexplicável que Zeca Baleiro canta: “Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, de beijar o português da padaria.”
Amor que eu lembro a última vez que senti, e foi há muitos anos atrás...
É um amor carregado de paz, que faz querer não só o próprio bem, mas o bem de seu próximo.
Independente de religião, filosofia ou qualquer outro aspecto teórico.
Amor que faria engravatados no ar condicionado pensarem em pais de família que sustentam três, quatro, cinco, seis pessoas num barraco ao lado de um esgoto com um salário mínimo não lutarem para dobrar seu próprio salário que já é de dois dígitos e sim reunir esforços para tornar a vida desse homem digna.
Amor que faria chefes de estado pensarem não em guerras e seus lucros, mas sim em combate à fome e à doença.
Amor que faria pessoas se abraçarem e não brigar por futilidades.
Amor que faria as pessoas esquecerem os erros das outras, perdoarem e retomarem o sentimento bonito de quando se conheceram.
Amor que faria não haver interesse a não ser pelo bem estar, não só seu, mas de todos.
Simplesmente amor.

18.1.07

NÃO !!!!

Não vou me deixar limitar por métricas, regras ou convenções...
Não sou rotulável !
Não sigo religião, tampouco sou ateu...
Amo sem ser amante, sou amante sem amar...
Penso no próximo, mas temos que aprender também que a pessoa que mais precisamos e que é a única que pode nos completar somos nós mesmos.
Sinto e respiro a felicidade e a tristeza.
Melancolia em doses cavalares...
Vício? Chega de vícios...
Sentimentais, de ordem natural ou não...
Viver. Não sobreviver.
Apenas viver.

16.1.07

Arte e produtos expostos numa prateleira

Ao assistir Saraband, último filme do genial Ingmar Bergman, lançado em DVD recentemente, e notar que sua competência continua a mesma, cheguei à conclusão de que está se aposentando o maior cineasta da história.
Mesmo hoje, com as inúmeras possibilidades tecnológicas que a indústria oferece, ele faz um filme que privilegia a densidade do roteiro e a qualidade dos atores, mostrando com maestria que para se fazer cinema de qualidade não se precisa mais do que isso, além de uma direção competente.
Eu adoro filmes grandiosos, cheios de efeitos... Mas Bergman nos mostra que sem essa “espinha dorsal’, maravilhas tecnológicas de nada adiantam (pelo menos para o público que ainda vê o cinema como arte).
Que a tecnologia seja usada em prol da arte é ótimo. É uma evolução. Mas a tecnologia ser usada em detrimento da arte, a colocando em segundo plano, ou até mesmo excluindo o conceito artístico, como tem acontecido cada vez mais, é um retrocesso a que o cinema está exposto, já que é um negócio e todo negócio tem que dar lucros.
E cineastas como Bergman não dão lucro...
Talvez por isso, temos às vezes 10 estréias por fim de semana e tantas seqüências e refilmagens...
Acho interessante saber as influências de artistas cuja obra admiramos.
Isso nos faz aumentar nosso leque de conhecimento e experimentar sensações parecidas que esses artistas tiveram quando sentiram o “orgasmo” que poucos filmes, músicas e livros proporcionam...
Ainda mais interessante é quando essas influências são colocadas em forma de homenagem e referências, como no caso de Woody Allen em relação ao próprio Bergman.
Em Maridos e Esposas, quando o personagem de Allen em diálogo com Mia Farrow lembra como uma madrugada sem sono e perdida se tornou ótima quando eles assistiram Morangos Silvestres na televisão. Ou em Annie Hall, quando devido ao atraso de Diane Keaton no cinema, Allen decide não ver o filme de Bergman, pois a sessão já tinha começado há 3 minutos e ele não assiste nenhum filme que já tenha começado.
As inúmeras referências pop de Tarantino, os diálogos sobre discos e os “top 5” de Alta Fidelidade (de Stephen Frears, baseado no livro de Nick Hornby), o sonho e a concretização de ser um repórter da Rolling Stone em Quase Famosos (baseado na própria experiência do diretor Cameron Crowe)... Isso só para citar alguns.
Sem contar as referências técnicas, como a do afastamento, em que personagens “saem” da trama para falar diretamente ao expectador, que Bergman usou com maestria e influenciou não só Woody Allen, mas até Lars Von Trier em Os Idiotas.
Pena que Saraband seja o último filme de Bergman, um artista na grandiosidade do termo, não um escapista, não um comerciante, não um leão em busca de lucros, nunca um submisso ao mercado. Nunca alguém que apenas quer expor suas mercadorias numa prateleira...
E pena que talvez por influência da banalização da arte e da visão de lucro, que nos “enche a lata” de obras cada vez mais sem conteúdo, talvez por conta de minha pobre alma melancólica, não é sempre que estou disposto a ver um filme da densidade de Gritos e Sussurros...

10.1.07

Quem somos nós?

“Basta ser sincero e desejar profundo. Você será capaz de sacudir o mundo...”
Tenho ouvido muito falar de uma nova espécie de crença que dizem ser baseada em estudos científicos.
Que o ser humano pode viver como quer. Ou seja, que ele pode transformar seus desejos em realidade “educando” seu cérebro para tal.
Mas essas pessoas se esquecem que nós vivemos numa caverna onde nossos desejos são afetados diretamente pelos desejos de outras pessoas.
“Eu desejo, eu preciso, eu insisto. Uma parte de mim avança, outra recua. Uma parte de mim é livre, outra retraída. Eu sou dois, até mais... Eu sou feito de caminhos.”
E se eu desejar o amor de uma mulher?
Eu posso condicionar meu cérebro a amá-la, mas não posso condicionar o cérebro dela para esse amor ser recíproco...
E se eu desejar ser um músico de sucesso?
Eu não posso condicionar o mercado a aceitar e investir no meu trabalho. Não posso condicionar as pessoas a ouvirem minha música todos os dias...
Posso sim, trabalhar para que isso venha a acontecer. Mas por mais que eu seja bom, só isso não é garantia de reconhecimento, visto ser um dos segmentos mais concorridos e menos justos.
Não vivemos sozinhos.
Podemos tentar flutuar num mundo de ilusões, mas é fato que o mundo pode ser cruel e toda ação tem uma conseqüência que não depende de nossos desejos.
Não basta simplesmente querer... Infelizmente.
Na minha mente vejo a realidade como quero, mas meu corpo não a sente e não desfruta desse prazer...

Arte e perguntas ...

Como definir se alguma obra de arte é boa ou ruim?

Podemos responder facilmente se gostamos ou não.

Mas qual o parâmetro do que é bom ou ruim?

Quem define o que é certo ou errado?

Vários fatores influenciam a apreciação de uma obra, principalmente o nível cultural da pessoa e o estado emocional em que ela se encontra.

Tem gente que busca sentido na arte.

Arte tem que fazer algum sentido?

Qual o objetivo do artista?

Se expressar, colocar suas dores pra fora, ganhar dinheiro, vomitar suas angústias, compartilhar sua felicidade...

Ou será que não existe objetivo?

Simplesmente o artista tem o dom e o usa?

O fato de a arte ser comércio também influencia muito no processo de criação e na qualidade das obras.

Muitos cineastas têm que fazer comerciais, filmes encomendados, etc. durante anos pra só depois poderem fazer o filme que gostariam.

Muitos músicos têm que fazer cover na noite, giggs, tocar o que não gostam durante anos, com a esperança de algum dia poderem sobreviver de seu trabalho autoral...

Será que o artista quer ser interpretado?

E será que dentre as milhões de interpretações possíveis, alguma é certa?

Como já dizia o poeta:

"Certo e errado não existem, todo mundo tem razão.

O ponto de vista é que é o ponto da questão."

Quem escreve sonha

Quem escreve grita, chora, ri, ama...
Quem escreve sonha.
Quem escreve voa, viaja, se teletransporta...
Quem escreve sonha.

Quando escrevemos colocamos no papel nossas lágrimas, angústias, sonhos, esperanças, desejos, tormentos...
Nossos mais íntimos sentimentos são absorvidos por esse nosso amigo inseparável...

Quero voar, amar, me entregar sem medo, querer e me sentir querido.
Quero o concreto e o abstrato...
Quero gritar ao mundo, tomar banho de chuva, me sentir só numa multidão, me sentir numa multidão apenas com você ao meu lado, fazendo com que esse “apenas” se torne apenas uma palavra.

Quero ser livre, sem compromissos, que ninguém precise de mim, mas que alguém me queira ao seu lado.
Quero sucesso, reconhecimento, que meu muro de lamentos seja objeto de admiração.
Mas também quero sossego, quero ter o meu mundo e que ele seja completo com ou sem o que sonho.

“Todos temos duas vidas: Uma a que sonhamos, outra a que vivemos...”